O Barcelona deu uma aula de como se deve jogar futebol? E o Santos, que aula deu?
O Barcelona deu uma aula de como se deve jogar Futebol?
Esta foi a afirmação do craque Neimar em sua entrevista após o jogo.
Ao analisar a entrevista deste grande craque (ainda vai ganhar maior experiencia) o mesmo afirma,que uma das lições aprendidas na noite de domingo ( 18/12/2011) quando o Santos foi goleado pelo Barcelona, teria sido de como o futebol deveria ser jogado.
Fiquei pensando se o Santos também não deu lá algumas aulas de como o futebol não deve ser jogado, principalmente em uma decisão de tão alta importância, visibilidade, exigência e repercussão á nível mundial.
A equipe espanhola enfrentou uma equipe que possuia qualidades (o Santos), títulos, fama, prestígio e a expectativa de que pudesse fazer frente ao super time de “outro planeta” como foi amplamente noticiada e denominada a equipe do Barcelona.
O que sobrou no Barcelona e faltou ao Santos?
Sobrou no Barcelona.
Confiança, auto-estima, poder de decisão, estatura psicológica acima da média (todos sabiam onde estavam, o que fazer, quando fazer , como fazer), alegria para jogar, controle total sobre a situação, soube conter para controlar e controlar para conter.
Costumo denominar como estatura psicológica acima da média, a situação onde o atleta ante a grandes eventos e decisões sente-se completamente á vontade deixando transparecer em todos os detalhes a seguinte afirmação, ” eu estou no lugar e situação certa, este é meu palco, público e evento”.
Não pensa, “será que vou conseguir “?, possui a convicção de que “estou aqui para conseguir”!
Combate timidez com iniciativa, tensão com “estar pronto”,dificuldades com soluções,dúvidas com auto confiança, e competição difícil com competitividade.
Os jogadores do Barcelona não jogaram somente como atletas brilhantes que são, jogaram como uma equipe focada no conjunto e não somente na qualidade das suas individualidades.
Não entraram no jogo somente como os melhores, mas se comportaram durante a partida como os melhores, com eficiência, entrega total, focagem objetiva, solidariedade tática, estratégia definida onde o todo parecia um, e cada elemento completava o todo.
O Barcelona ao contrário do Santos, não foi para a decisão para assistir o adversário jogar, mas atuou impondo sua forma de jogar.
Tocou a música para o Santos dançar, ditou os acordes, o ritmo e a coreografia.
E o que faltou ao Santos?
Não faltou empenho, mas sim maior espírito de decisão e competitividade.
Faltou “ser” antes de “fazer”, e isto faz toda a diferença quando se decide qualquer coisa, seja no esporte ou na vida.
Parece que tentaram combinar com o Barcelona a seguinte estratégia, primeiro nós vamos ver o que vocês podem apresentar, depois vamos ver o que podemos fazer a respeito.
Só que o Barcelona quando apresentou o que realmente sabia, com facilidade chegou aos 3×0 já no primeiro tempo.
Para enfrentar equipes como o “Barsa”, penso que se deve primeiro ter ação positiva para depois então exercitar o pensamento positivo.
Primeiro faz, depois então pode torcer para que tudo saia como o planejado. Neste tipo de atitude devemos controlar para conter, para depois conter, jogar e controlar.
Agora pode ser fácil apontar o que faltou(ser profeta do acontecido) mas o que faltou não pode ficar sem revisão e cuidadosa reflexão.
Faltou passar e aplicar ao adversário a seguinte mensagem, “se vocês são bons, agora vamos ver realmente do que são feitos pois vamos marcar em todos os setores o tempo todo. Ah, ia esquecendo, também vamos jogar”.
Tao Tzu o grande Mestre na arte da guerra aplica que , se o guerreiro entrar no “campo de luta” apenas para sobreviver ,acabará morrendo ao lutar somente para preservar sua vida.
Porem se entrar no “campo de luta” encarando-o como um definitivo “campo de morte por destemer a morte”, acabará saindo vivo desta batalha , pois o bônus para quem desteme a morte é a vida, e o castigo para quem teme excessivamente a morte é morrer prematuramente no campo de luta”.
O Santos enfrentou o verdadeiro Barcelona, porém o Barcelona tenho certeza, não enfrentou o verdadeiro Santos.
“Ser antes de fazer”, é nunca esquecer quem é, o que é, e o que deve exigir e esperar de si mesmo.
Entre tantas lições aprendidas e preconizadas pelos jogadores do Santos, talvez a maior delas é a que afirma que ” o maior vencedor é aquele que vence as próprias limitações”.
A superioridade do adversário deve ser devidamente avaliada e apontados os erros e dificuldades ( inclusive os de ordem psicológica) e não servir como “ganchos” ou “gavetas” onde possam ser “acomodadas” como justificativas para ineficiências técnicas e psicológicas ante a derrota.
As vitórias nos ensinam importantes lições, porem a derrota quando bem avaliada e assimilada, nos ensina com amargas lições as verdadeiras razões e o real conteúdo das nossas ineficiências.
Força rapaziada do Santos, o resultado não foi bom, mas talvez esta lição possa ser importante passo para futuros triunfos e títulos no ano de 2012.
Quando atingimos um determinado limite devemos nos reinventar para atingir novos patamares e atingir limites e objetivos mais ousados.
Ao enfrentar grandes decisões devemos tomar nenhum caminho como caminho, e nenhum limite por limite.
Somente assim poderemos enfrentar o adversário com igualdade de condições dentro do seu próprio jogo, neutralizando sua estratégia ao não sucumbir ante a mesma.
Penso que a equipe do Santos subestimou suas potencialidades, possibilidades, e capacidade de enfrentamento e superação.
Murici Ramalho pensou mal a estratégia do jogo?
Penso que não, pois não existe estratégia que dê certo quando cedemos ao adversário a iniciativa e o controle do combate.
“De nada vale o corpo bem preparado se a mente e o espírito não tiverem ânimo” (Bruce Lee).
Passarinho+
Educador Técnico Específico e Formador de Goleiros.

